A chamada faiança hamburguesa Por Peter Koj
Quando Justus Brinckmann há cem anos, se dedicava a catalogar o espólio do Museum für Kunst und Gewerbe em Hamburgo, que ele próprio tinha fundado, deparou-se com vários pratos, vasos, jarros e taças dos meados do séc. XVII, de origem duvidosa. Como alguns deles ostentavam nomes e brasões de conhecidas famílias hamburguesas, rotulou-os de „frühe Hamburger Fayence“. Embora não houvesse olarias em Hamburgo nesse tempo remoto, manteve-se a denominação ao longo do séc. XX, sem atentar nas cada vez mais numerosas dúvidas vindas do lado do estrangeiro. O holandês Jan Baart, descobriu cerâmicas idênticas quando o antigo bairro judaico Vlooyenburg de Amesterdão foi saneado após a Segunda Guerra Mundial. Mas as autoridades hamburguesas não se vergaram perante essas provas convincentes e até se recusaram a mandar peças para a exposição “Os portugueses em Amesterdão 1600-1680”, que teve lugar em 1987. Quando, em 1990, Rainer Marggraf, o grande especialista de cerâmicas portuguesas e entretanto falecido professor da Universidade de Osnabrück, montou a sua exposição de azulejos em Hamburgo, revelou-me esses factos, que me levaram a publicar um artigo neste sentido na “Tageszeitung” (“Ein Hamburger Museum irrt”, taz, 11/5/1990).
O artigo deve ter despertado o interesse dos especialistas de Hamburgo, sobretudo o de Ulrich Bauche, naquela altura conservador do Museum für Hamburgische Geschichte. A exposição organizada por ele, “400 Jahre Juden in Hamburg” (11/1991 até 29/3/1992), dedicava muito espaço aos sefarditas e aos seus contributos valiosos ao desenvolvimento da cidade hanseática incluindo uma boa escolha de “faianças hamburguesas”, agora com a indicação correcta da sua origem lisboeta. Finalmente, em 1996, Ulrich Bauche abriu, com Johanna Lessmann do Museum für Kunst und Gewerbe uma exposição que, pelo seu próprio título (“Lissabon – Hamburg. Fayenceimport für den Norden”), tornou bem clara a proveniência das cerâmicas expostas, entre elas uns artefactos muito curiosos e bonitos. Aliás, Ulrich Bauche debruçou-se sobre esse tema na 8ª edição da nossa revista. Entretanto foram encontrados, tal como em Vlooyenburg, pedaços da faiança portuguesa no decurso da construção da nova HafenCity. Elke Först do Helmsmuseum, responsável pelas excavações, informou os nossos leitores sobre estes achados na Portugal-Post 40.
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Krug mit Löwe und Hamburger Stadtwappen
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